quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lágrimas da Fênix


Sejamos sinceros,
Nada de sentimentalismo exacerbado ou discursos recorrentes sobre a inevitável despedida. Nós somos mais do que palavras, somos mais do que a perda, do que a dor e do que o medo.
Nós... somos pássaros.
Aprendemos a enfrentar os problemas de cabeça erguida, a abrir as asas sobre o horizonte desconhecido, a encarar e resistir, mesmo que isso exija sacrifício.
Porque mais do que pássaros, nós... somos fênix.
Renascemos das cinzas todos os dias. A cada olhar de agradecimento, sob o calor dos perdões e palavras ditas. É só deixar as memórias fluírem nostalgicamente para perceber que o ciclo ainda continua. Atravessamos céus tempestuosos, consertamos asas quebradas, sobrevivemos às chamas, provamos a todos nossa capacidade, compartilhamos histórias de vida, compreendemos a diferença e sua inevitável necessidade.
Crescemos juntos, aprendemos juntos, erramos juntos. E, hoje, sobre joelhos machucados fechamos mais um ciclo de nossas vidas.
Finalmente estamos prontos para voar e abrir caminhos, prontos para uma nova jornada, cheia de obstáculos e expectativas. Mas estamos sozinhos dessa vez.
Afinal, não somos pássaros comuns; daqueles que migram em bandos no inverno e ressurgem unidos na primavera. Não há mais estações para nós. Estamos por conta própria.
Um dia, nos daremos conta da necessidade de partir, ganhar novos rumos. E quando esse dia chegar – o que assustadoramente aconteceu mais rápido do que o esperado – as coisas que cultivamos serão as primeiras a nos deixar.
E é por isso, talvez, que essa seja a forma mais pura de eternizar esse sentimento que nos revigora, talvez esse seja o momento de deixar uma parte de si e levar um pedaço de cada um, inclusive daqueles que abriram as asas antes de aprender a voar, nos deixando.
Saibam que todos vocês fizeram a diferença.
E as lágrimas, sorrisos, tensões, dramas... Tudo o que deixaremos para trás viverá até o fim.
Porque assim como a fênix, nós... somos imortais.
[Aos pássaros do 3°Ano B, da FJC]

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Clichês



Não pense, não controle, faça. Essas eram as palavras que Luíza repetia todos os dias em frente ao espelho, mas também eram as únicas que fugiam à sua memória quando ela avistava Fred. Aqueles ofuscantes olhos azuis, o corpo minuciosamente esculpido, os braços fortes e a barba por fazer. Sim, aquele era o Fred, o culpado por seus devaneios e noites insones. Se Luíza conseguisse ao menos lhe encarar, se pudesse esquecer seus medos, se contasse a Fred o que dizia à sua imagem refletida talvez ele finalmente fosse seu por completo. Mas Fred não a conhecia, nem sequer sabia seu nome. Luíza era linda, tinha um sorriso encantador, os olhos cor de mel eram doces e castos, e ainda assim nada lhe dava a segurança de que era boa a bastante. Um dia, soube da mudança de Fred e teve a certeza de que não haveriam mais chances. Foi até a estação na esperança de vê-lo pela última vez. O encontrou. Estava sentado ao lado da janela do terceiro vagão. As mãos de Luíza começaram a suar, ficaram geladas. Ela sabia o que tinha que fazer. Era a sua última chance. Luíza entrou desesperada no trem, mas para o descompasso do seu inválido coração, uma loira voluptuosa passeava a mão sobre as coxas do rapaz, que olhava enternecido nos olhos da sua acompanhante. Luíza - um peito que afava, um coração fragmentado – exorcizou-se do amor... Sobem os créditos, acaba o filme. O cinema é esvaziado, mas na primeira fila, oculta entre as sombras chora silenciosamente uma Luíza desesperançosa, lagrimas de mais uma menina tímida dos olhos cor de mel.

sábado, 23 de outubro de 2010

V de ...



Vingança!


          Em nome dos amores que não vingaram
E das lembranças esquecidas

Vingança!
Em nome das asas quebradas
E histórias sofridas

Sim, vingança!
A quem desistiu de lutar
E condenou duas vidas.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Impertinências



Já não sinto soar o timbre da voz,
E os devaneios que turvam as últimas memórias
Levaram os sonhos para outro endereço.
Não há mais promessas, dúvidas ou medos.
E nada é o que parece ser.
Eu sempre soube que esse dia chegaria,
Sei também que prometi tentar,
Prometi não chorar,
Mas desde que os sonhos se foram
Nada do que vivo faz sentido.
Você prometeu, lembra?
Disse que estaria comigo,
Que seria meu ponto de equilíbrio.
Era amor nos seus olhos, não?
Então, agora, eu te desafio;
A me encarar outra vez;
A olhar nos meus olhos
E dizer que não me ama.
É, isso está me matando por dentro
Mas eu, sim eu, sinto sua falta
E não sei lidar com isso.
Os olhos imponentes se perderam no silêncio,
As lágrimas secaram,
Você esqueceu.
Diga que estou errada,
Diga que isso é uma grande mentira.
E só depois me faça esquecer.
Apague as luzes
E me deixe sonhar de novo.
Só a sua voz rouca pode quebrar o silêncio.
Fique mais um pouco,
Espere eu adormecer.
E aí, então, se afaste
E me deixe só;
Mas não suma, não durma, não morra em mim.
Acorde, o sol já nasceu!