sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Boteco




E o prato do dia é: Decepção;
Um pouco amarga, é verdade,
Mas é uma boa pedida
Se regada a doses de maldade.
Talvez os ébrios prefiram a tontura,
Os misantropos a solidão promocional.
E ainda que haja guerra entre os incultos,
Hoje, Decepção é meu prato principal.
Acompanhada por porções de falsidade,
A insignificância compensa a estupidez.
E por mais fartos que sejam os pedaços de sarcasmo,
Nada me faz pedir outra vez.
De sobremesa, uma tigela de ironia
E um copo quase quente de frieza.
Ponha tudo na conta,
Inclusive as doces balas de ensejo.
E quanto a gorjeta,
Terá sorte se conseguir trocar
[essas moedas de desprezo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Olhos de Girassol

É amor,
Mais uma vez o sol ressoa em minha face
E acende os girassóis dos meus olhos verdes.
Sim, há girassóis neles; os seus girassóis.
Aqueles que você adorava ver enquanto o sol incidia.
E se encantava à medida que a aurora surgia.
Mas agora nem mesmo os raios de sol conseguem trazer de volta aquele brilho amarelo,
Nada parece impedir que os girassóis murchem.
Eu sei, é nostalgia.
Quem sabe até medo, culpa ou ressentimento.
Mas o que eu posso fazer?
Se a cada olhar os girassóis procuram você?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Espelhos



O vento sopra e traz consigo seu nome e imagem, mas a saudade insiste em mostrar o quanto você está presente.
Você é uma parte da minha existência, agora e sempre.
O meu tão bem moldado reflexo que se mostra mais forte que eu mesma e que embora permaneça afastado continua vivendo aqui, em mim.
Acredite, todos precisamos de espelhos para lembrar de quem somos.
E eu não sou diferente.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Independência ou Morte


Dia da libertação;
Momento onde todos os demônios são vencidos,
                                        [Principalmente os meus.
Em teoria, o medo é deixado para trás
E tudo mais sobrevive
                                        [Apesar do último adeus.
Viver ou morrer?
Se simular a coragem é esconder o medo,
Se apagar da memória é admitir o erro,
E se matar a dúvida é apenas o epicentro,
É melhor viver enquanto não se morre por dentro!